Suas Paranoias Te Controlam?

Uma vez estava tentando entender minhas paranoias. Então, passei a me questionar: qual a origem dos meus pensamentos paranoicos e negativos? Seria meu “eu das sombras” ou alguma força externa? Talvez o fato de eu usar o pronome possessivo “meu” ao me referir a esses pensamentos já fosse um indício que apontasse para a origem do problema, pois estava assumindo que esses pensamentos eram “meus” sem eles necessariamente serem.

Mas assumindo que eles o fossem, poderiam não serem necessariamente ruins?

Parto do princípio que as coisas tendem a não serem puramente ruins ou boas. Por exemplo, o veneno de cascavel que é algo intrinsecamente visto como algo ruim, já está sendo pesquisado para ser utilizado em tratamentos contra o câncer. E para a própria cascavel ele é algo bom. Trazendo essa analogia para a nossa vida cotidiana, pode-se dizer que o pessimismo é uma característica ruim, mas se for convertida em arte – quadros, música, textos – pode ser uma característica transmutada em algo positivo.

DarkClouds

As nuvens mais escuras lavam as energias negativas ou te molham até os ossos?

Por isso, pensei nas paranoias como uma mangueira de água cuja torneira está aberta com muita força. Há muita água correndo e está alagando tudo. Pois se eu assumisse o controle dessa torneira, poderia utilizar essa água quando quiser, da maneira que quisesse. Poderia utilizar esses pensamentos de forma consciente e equilibrada para evitar riscos desnecessários, diferente da forma como esses pensamentos eram usados, que eram para tentar evitar e antever todo e qualquer perigo ou problema que poderia acontecer, mesmo problemas improváveis.

E assim levantei outra questão: eu estava conseguindo prever e evita todo e qualquer perigo?

Hoje posso afirmar com certeza: evidentemente que não!

E quando os problemas ocorreram, essa tentativa de tentar prevê-los me ajudou estar preparado para enfrentá-los? Não. Pelo contrário, pois consumiu uma energia vital desnecessariamente.

E quando os problemas de fato aconteciam, eu conseguia buscar soluções apesar de não os ter previsto? Se o problema tinha uma solução, sim.

Portanto, o problema de pensamentos paranoicos e pessimistas já possuía uma solução. E eu nem precisei prever que um dia eu teria que enfrentar esse problema.

E você, se é paranoico ou pessimista, utilizando esses pensamentos como bússola, por acaso já conseguiu melhorar sua vida ou eles simplesmente drenaram sua energia?

 

Fim do Mundo

Eu não tenho medo do fim do mundo. Tenho fascinação. A vertente de fim do mundo provocado por ação humana me desagrada, mas um meteoro, um super vulcão ou algo assim, me passa tranquilidade. Tranquilidade por saber que é algo totalmente fora do meu controle ou do controle de qualquer ser humano deste planeta. Está acima de tudo e todos. De todos egos, de todas vaidades. Todos se tornariam iguais automaticamente. É justo. É grandioso e acima de tudo, inevitável. É o nosso destino. O mundo, cedo ou tarde, acabará. Seja por um meteoro, um super vulcão ou pela expansão do sol daqui a bilhões de anos. É tão certo quanto a morte.

Algumas culturas celebram a morte. Eu, admiro o apocalipse. E por quê?

A humanidade por dentro

Quando criança eu já gostava de saber como as coisas funcionavam e também de ver seu interior. Mesmo brinquedos simples que não tinham nada de complexo eu desmontava para ver como eram. Tudo se torna interessante quando analisado parte a parte, de fora para dentro. Até mesmo uma bergamota me fascinava. Abro aspas para a criança eterna que habita meu coração, com seus 6 ou 7 anos de idade, poder se expressar:

bergamota

Bergamota. Foto: Ieda Beltrão

“É uma fruta parecida com uma laranja, mas com uma casca que não gruda com tanta força nos gomos. Lisa e brilhante por fora, rugosa e branca por dentro. Os gomos são unidos, mas não com tanta força, de forma que é possível separá-los com as próprias mãos sem rompê-los. E entre a casca e os gomos, há esse tipo de cola branca que não tem gosto. E cada gomo é constituído por uma espécie de pele fina, e dentro deles, outros pequenos gomos, onde o sabor de fato está. Alguns dos gomos grandes também têm sementes. E até a semente você pode ir dividindo em camadas. E qual o gosto da semente? Alguém já experimentou? Por que a bergamota é diferente da laranja? Por que há espécies diferentes de bergamotas? O que elas têm de diferente e por que, ao longo dos milhares de anos, elas ficaram assim? ”

Penso que essa fascinação pelo apocalipse se dá pelo fato de poder se desmontar a humanidade e assim vê-la por dentro. Destruiria todas as máscaras que criamos. O que realmente importa? Para o que realmente devemos viver? Quem são as pessoas cujas opiniões realmente são relevantes para nós? Seria o contato mais puro com a nossa essência coletiva. Vaidades, egos e aparências são totalmente irrelevantes nesse cenário.

E eu não acho que a humanidade seja ruim. Dissertar aqui sobre a origem da maldade aparente da humanidade é algo para uma série longa de textos. Mas, em síntese, eu acredito que todos colocados na mesma condição e despidos de suas fantasias, com aqueles que nunca sofreram fome sentindo em seus estômagos e almas o suco gástrico corroendo, com aqueles que sempre tiveram onde dormir sentindo o vento frio das madrugadas cortando seus olhos, haveria a chance de sentimentos de empatia e união seriam despertados. A maldade existiria, sim, mas o espírito coletivo de um mundo “apocaliptizando-se”, seria totalmente diferente do que temos hoje.

Pararíamos de gastar energias em futilidades e buscaríamos não só o que precisamos para sobreviver como animais, mas muitos, enfim, olhariam para suas almas e Deus.

E isso não é bonito?

Abacate Iluminado

A ideia concebida de “Abacate Doce”, lá nos primórdios da Internet, sempre foi de um site com temas leves. Um local agradável onde eu pudesse compartilhar meus pensamentos mais profundos sobre a vida. Devido as minhas transformações de personalidade e adaptações ao mundo, não foi assim que o site se desenhou e acabei fechando a porta dos sentimentos aos textos.

Felizmente, sempre é possível recomeçar. E por proteção do Universo, este blog nunca “bombou”. Se tivesse feito sucesso durante as fases em que eu escrevia textos negativos, provavelmente eu teria seguido essa linha e tornado o Abacate Doce em Abacate Azedo.

E a parte azeda do mundo todos nós já conhecemos, mas o lado doce parece esquecido. Ele é tão esquecido que eu me sinto envergonhado em escrever sobre ele. Por que, afinal de contas, nós, pessoas, nos dedicamos tanto a escrever críticas, reclamações e tão pouco a escrever mensagens boas ao mundo?

Mesmo a tragédia é possível vê-la de uma forma não triste. É possível aprender a compreender a grandeza do Universo e, dentro de nossas limitações humanas, ver os detalhes que não percebíamos porque estávamos dando zoom na parte errada da foto. É possível colocar um açúcar no abacate. E é esse tipo de pensamento que eu vou passar neste site, sempre movido pela minha fé e experiências de vida.

“Take a look at yourself; Not at anyone else; And tell me what you see

I know the air is cold; I know the streets are cruel; But I’ll enjoy the ride today…”

Prólogo

Política, religião, futebol, astronomia, física, música, tecnologia, comportamento humano, sociedade, vida extraterrestre, veganismo, liberdades individuais. Não sou especialista em nenhum desses temas e no entanto são temas que gosto de abordar. Meu medo em abordá-los está no fato que não sou especialista em nenhum deles e, ao abordá-los, acabaria me tornando um daqueles. Aqueles. Os filósofos, sociólogos e especialistas das redes sociais. E não só das redes sociais .O jornalismo, como eu já digo há anos, é um aglomerado de blogueiros e youtubers pagos para falarem sobre assuntos que não dominam. Há apenas diferenças formais entre um colunista da Veja ou Carta Capital e um blogueiro qualquer.

Há exceções, é evidente! E nos dias atuais é sempre preciso colocar o “mas” quando se faz o uso de figuras de linguagem, sarcasmo ou ironia. A diversão das hipérboles está sendo afogada nas lágrimas da sociedade politicamente correta e semialfabetizada em que vivemos. Mas aqui, não me submeterei à opressão às hipérboles.

Por não querer ser um “daqueles”, sempre tive fases em que estava receoso de escrever e me expôr. Fases que duraram de semanas a anos. Pois quem sou, afinal, para postar ideias na internet?

Pra começar, não sou jornalista. Sou um dos “palpiteiros de internet”. Sou um ser humano normal com capacidade de me expressar através de textos de uma forma que agrada um certo número de pessoas. Eu as entretenho. Assim como gosto de assistir a youtubers e ler blogs de especialistas em nada, outras pessoas gostam de consumir o que publico. E, ocasionalmente, o que publico desperta alguma ideia ou visão diferente acerca de determinado assunto.

Considerando que sou alfabetizado e que há um público para meus pensamentos, por que não publicá-los? Considerando que, sem modéstia, tenho consciência que minha inteligência é acima da mediocridade, porque não expô-la?

Em uma internet tão esculhambada e em uma fase da civilização onde há uma enxurrada tão grande de opiniões desastradas, onde qualquer jaguara com um computador conectado à internet está em iguais condições às de um jornalista profissional, onde jornalistas profissionais travestem suas opiniões partidárias com uma máscara de isenção, correr o risco de ser um “daqueles” não será a pior coisa da história do Universo. Arriscar-me-ei, portanto, a palpitar aleatoriamente sobre tudo, sempre mantendo uma posição clara quando tiver.

E agora, fiquem com um belo instrumental para encerrar esse prólogo.