Ecos Silenciosos

Comecei a escrever e publicar textos aos 15 anos de idade. O retorno que eu tinha, especialmente com o blog 5150, que surgiu aos meus 18 anos, fazia eu me sentir entendido, compreendido, atendido e feliz por encontrar pessoas semelhantes a mim. O blog foi tão bom que graças a ele eu tive minha primeira namorada. Tudo o que eu escrevia reverberava entre meus amigos, entre meus leitores, entre minha namorada. Minhas palavras ganhavam força e como ondas, iam até a praia, voltavam até mim e me confortavam.

Vinte anos depois e hoje falo para fantasmas. Não se trata somente do que eu escrevo, mas sim do que eu digo. Um ponto da vida em que me tornei um jovem velho de 30 e poucos anos que fala sozinho, pois as pessoas simplesmente não me ouvem mais. Ainda questiono minha sanidade, questiono se não enlouqueci completamente e por isso não sou ouvido.

Escrevo para fantasmas, falo para paredes. Ninguém me ouve como as pessoas do passado ouviam. Ninguém ama como amaram.

Ouço somente minha tempestade interna e solitária. Ouço os ecos de um silêncio que eu mesmo causei pelas decisões mal tomadas e pela forma errada em que conduzi alguns aspectos da minha vida. Apesar disso, não tenho de maneira clara onde errei e nem no que eu errei. Talvez devesse ter me preocupado menos, talvez devesse ter me importado menos e prestado mais atenção naquilo que era uma agradável chuvinha de verão, antes que se tornasse em uma gelada e catastrófica tempestade interna.

Nostalgia Divina

Por que eu relembro tanto do passado com nostalgia, tentando reviver o que não existe mais? Porque o meu verdadeiro “eu” estava vivo naquela época, porque havia uma tempestade de sonhos e uma longa vida a realizar pela frente. A realidade de hoje se assemelha em alguns pontos àquela realidade que eu sonhava, mas distancia-se cada vez mais do mundo fantasioso de um adolescente. Aproxima-se da obra concreta, da dureza da vida e da punição por decisões equivocadas.

Entendo, Deus, que só e somente eu poderia estar nessa missão. Entendo o que foi me passado, porém não deixo de imaginar que as coisas poderiam ser muito melhores se eu tivesse tomado outros rumos.

Peço-Lhe perdão pela forma como me sinto hoje, pelas coisas que estou dizendo e pensando, e sei que o Senhor, em sua infinita inteligência, compreende e vê muito além do que eu posso ver hoje. O Senhor sabe que não fugirei da missão que me foi confiada e lutarei nela enquanto o Senhor permitir e desejar.

A Tempestade Censurada

Acabei de escrever um texto chamado “A Tempestade Interior”, que reflete bem como me sinto, que conversa com Deus, que grita por ajuda. Gostei bastante do texto pois acho que consegui resumir em poucas palavras tudo o que sinto e também, de certa forma, aceitar o meu destino.

Mas, como publiquei ontem, quem se importa?

Quem eu gostaria que se importasse, não é nem capaz de fingir se importar há anos e quem realmente se importa sequer veio a este mundo.

 

Preso no Medo

O medo sempre foi uma grande presença em minha vida. Quando eu tinha 5 ou 6 anos, um dos meus medos era de morrer, de que meu coração parasse do nada e eu morresse. De vez em quando eu colocava a mão no peito para ver se meu coração ainda estava batendo. Sério. Tinha outros medos também, como de espíritos, demônios e coisas assim.

Com o passar dos anos, os medos foram se tornando em coisas mais físicas, como medo de não passar de ano na escola, medo de falar com alguma menina que eu achasse bonita e outras coisas assim, normais de um adolescente.

Hoje, olhando para o que vivi, percebo que o medo sempre foi minha verdadeira prisão. Isso fica muito claro hoje quando ele é o verdadeiro elemento que impede minha liberdade. É ele que aprisiona meu espírito e minha mente. É o grande muro entre o que eu e o que quero fazer.

E qual é esse medo?

É o medo da exposição e de não ser perfeito. São dois medos que eu trato como um só e estão interligados.

Medo da Exposição

Eu sou bastante crítico e naturalmente tenho uma visão diferente de ver o mundo. Admitir isso é extremamente difícil pra mim e expor o que penso sobre as coisas é igualmente difícil. Normalmente o que eu escrevo em redes sociais ou até nos blogs que tive, são versões “polidas” do que eu realmente penso e uma série de temas eu não abordo. A autocensura é enorme, pois normalmente o que penso não segue o senso comum, logo sou um bom alvo de críticas. Evidentemente que há opiniões bem aceitáveis pelo senso comum, mas aí elas estão fora da cela do medo.

Medo da Imperfeição

Eu sempre tive a visão de que para você publicar uma opinião sobre um assunto, você precisa ter domínio total daquele assunto e de assuntos relacionados, emitindo uma opinião praticamente perfeita do ponto de vista lógico e estético da exposição do seu pensamento. Entretanto a vida já me ensinou que isso é uma bobagem. O tipo de material que eu gosto de produzir é o que eu gosto de consumir: textos e opiniões de pessoas comuns com as quais eu me identifico. E as pessoas gostam disso! Ou por acaso todos “YouTubers” que você acompanha são grandes mestres nos temas que eles abordam em seus vídeos?

Só que o tempo passa. A vida passa e continua passando independente de eu estar preso a esses medos ou não. É difícil saber se eu conseguirei virar a chave e superar esses medos agora que os conheço. Talvez, se eu não esquecer a sensação de liberdade que sinto ao voar sem eles, eu consiga.

Artistas de Deus

Meu pai é um artista. Minha mãe adorava escrever. Eu me considero um artista-escritor. Toda arte que produzo, tudo que escrevo, traz algum sentimento que captei ou vivi. Mesmo a minha trilogia “Mãe Solteira” traz uma série de elementos e analogias que remetem a sentimentos muito profundos que eu conheço e meu leitor poderá tentar decifrar.

Quanto mais eu mergulho nesse mundo, mais penso que o artista é um solitário. Mesmo rodeado de pessoas, a Bolha em que ele vive é a única certeza que há. E por mais que essa solidão pareça triste e deprimente aos olhos de terceiros, é algo tão grandioso e nobre que somente ele e Deus conhecem.

O artista se conecta tão profundamente com os sentimentos e emoções que é capaz de tocar almas com o que produz. Ninguém consegue tocar almas. Mas um texto, uma música, um quadro, um desenho, um filme, conseguem.

Foto 02 - Universo

“Universo” – Jolussa

E a pessoa que consome a obra se sente amparada, acompanhada, abraçada, compreendida. Há músicas que me fazem chorar. Há músicas que me fazem sorrir. Há músicas que me entendem. Como pode uma música me entender?

Quando você está sozinho, realmente sozinho, olha para si e talvez não consiga saber o que vê. Então uma obra de arte vem, te abraça e te explica o que está sendo visto. Descreve o sentimento de uma forma que ninguém jamais conseguiria. É um dos meios que Deus utiliza para falar conosco.

Deus é sutil e genial. Melhor falar com nós através de artista, que tocarão dezenas, centenas, milhares de almas, do que fazer desenhos em nuvens.

O artista é, portanto, o telefone de Deus com as almas deste mundo. Procure a arte que você gosta para saber que não está sozinho e o que Ele tem para dizer a você.