A Grande Verdade Sobre Mim – Parte 2

As pessoas que estão me acompanhando no blog sabem que solidão é um tema extremamente recorrente aqui. Isso já vem de longa data e pode ser percebido na série “O Último Trem Para o Paraíso” bem como em exercícios que fiz em textos anteriores com personagens fictícios, onde imaginei situações em que tais personagens também se sentiriam só e projetei neles frustrações e sentimentos que eu tinha.

A questão da solidão é complexa. Não se trata de uma solidão presencial como você pode imaginar, quando a pessoa vive sem contato com nenhuma outra. Acho que fica bastante claro na primeira parte do texto “A Grande Verdade Sobre Mim” que se trata de uma solidão mental, psicológica, espiritual, de desconexão social e talvez até proposital. Desde muito pequeno eu já gostava de me isolar e ficar só. Às vezes, brincando com meus amigos, eu simplesmente cansava e queria ficar sozinho, então inventava uma desculpa e me escondia em casa.

Não acho que as pessoas, principalmente meus amigos, sejam pessoas ruins ou pessoas com as quais eu não queira nenhum contato. Gosto quando me procuram e eu os procuro também, não tanto quanto eu deveria, é verdade, mas gosto de ser “procurado”. De fato, quando uma pessoa demonstra se interessar e se importar por mim de uma maneira legítima e natural, eu me sinto muito bem.

O tema é muito mais complexo. Trata-se de uma questão de como eu me coloco e me sinto perante o mundo. O próximo passo após entender a minha verdade, é admitir que de certa forma eu gosto de estar só. Gosto tanto que já cheguei ao ponto de terminar um relacionamento por, entre outros motivos, não conseguir ficar só tanto quanto eu gostaria.

Eu gosto das minhas coisas. Gosto das minhas músicas, dos meus jogos, dos meus passeios, do meu site, das minhas festas, dos meus programas e quando eu tentei mudar essas coisas em uma tentativa de me adaptar ao mundo e diminuir a solidão, começaram a vir as tristezas, decepções e sentimento de que eu estava lutando uma batalha perdida, forçando-me a aceitar e fazer parte do meio em que as pessoas hoje estão. Em outras palavras, quando eu comecei a agir preocupado em agradar terceiros, tudo veio a baixo.

Isso é revelado a mim em diversos níveis da minha psique, desde nas ações lúcidas até em sonhos.

Como alguém diz para mim: “eu sou peculiar e assisto vídeos sobre bandeiras”. Essa peculiaridade diz muito sobre mim e vejo que tendo a ficar cada vez mais excêntrico e único. Isso deverá ser visto como uma grande conquista, pois indicará que eu consegui caminhar em direção a exatamente o que eu sou, ao que eu quero ser e ao que vim aqui fazer e não a aquilo que eu acho que esperem que eu seja.

Seria essa a verdadeira liberdade que eu pedi a Deus? Já que me sinto tão deslocado do mundo, que ninguém realmente se importa com isso e que, portanto, por minha natureza e por autodefesa, caminharei cada vez mais para a transformação do meu “eu” em uma unidade isolada e fechada,  chegará um ponto em que eu não me importarei mais com a solidão e quando isso acontecer, eu realmente vou querer ficar só e me afastar definitivamente de todos. Alguém, com exceção do meu pai, que um dia se irá, se importará com isso? Creio que não.

Eu Não Sou O Salvador

Eu não tenho obrigação de mostrar para as pessoas o quão retardadas e erradas elas são. O show de horrores e ignorância das redes sociais, trânsito, relações humanas e vida em geral, não são de minha responsabilidade. Preciso dizer isso, pois durante muito tempo, seguindo aquela máxima que diz “não fique quieto se ver algo errado”, eu tomei como responsabilidade minha apontar e expor essas falhas.

Mas Deus não me deu a tolerância e paciência para fazer isso, embora eu sempre tenha achado que eu devesse desenvolvê-las. Mas não quero desenvolvê-las para esse fim. O confronto direto à ignorância é uma luta equivocada que demanda uma energia muito grande para um efeito muito pequeno.

A grande questão não é demonstrar que a pessoa está errada, pois as pessoas vivem em bolhas e é difícil lutar contra o efeito manada que acontece dentro desses universos. Um exemplo bem claro e fácil de entender, é nata da classe artística brasileira. O mundinho em que eles vivem, é o da classe alta deslocada do dia-a-dia do brasileiro típico. Suas principais pautas principais são legalização de drogas, aborto, “causa gays”, apoio a financiadores de ditaduras socialistas, apoio a líderes de esquemas de corrupção e contra a legítima defesa, todas causas que a população ou não se importa ou é contra ou coloca lá no fim na lista de prioridades.

Você pode apresentar argumentos fortíssimos, baseado em dados de diversos países do mundo, com cultura semelhante a nossa, com os mais variados IDHs, linhas de raciocínio lógico fortíssimas, analogias bem elaboradas, depoimentos, dados estatísticos do próprio Brasil, que esse povo simplesmente vai olhar para você, olhar para os amigos deles, e dizer: “Armas só servem para matar. Vamos proibir as vendas e você é fascista. Vou voltar pro meu condomínio fechado com seguranças armados.”.

Ou seja, dentro da bolha, junto à manada, todo mundo pensa dessa forma e aquele que vai contra é excluído e isolado.

O problema é muito mais profundo do que esse grão de pó que estou expondo nesse texto. Passa por analfabetismo funcional, pelo culto à ignorância, pelas relações desses artistas com traficantes, pela falta de vivência na realidade brasileira, pela lavagem cerebral esquerdista nos meios culturais, pela idolatria a bandidos, pela arrogância e pelo fato da sociedade brasileira achar que a opinião de um artista famoso é importante simplesmente por ele ser famoso.

E você não vai resolver isso com confrontos diretos, pois as pessoas precisam buscar conhecimento no seu tempo, através do seu livre arbítrio, quando estiverem prontas para isso.

Pois então, o que eu posso fazer para ajudar?

Acho que o ponto principal é ser um bom exemplo e me preocupar em fazer o que eu considero como correto. Como gosto muito de expressar o que penso, posso continuar a fazer isso, deixando uma porta aberta para quem quiser se entreter ou pensar sobre as coisas que eu gosto de contar e expor. Na questão que utilizei como exemplo (a facilitação da legítima defesa), há pessoas extremamente mais qualificadas que eu para defender esse ponto e quem se interessar, um dia, vai encontra-las.

BÔNUS: Indo mais adiante, há outros pontos mais genéricos que podem ser interessantes a você também:

Ponto 1: Há diversas coisas a serem feitas e cada pessoa está preparada e foi feita por Deus para fazer algo diferente. A um grande jogador de futebol lhe foi dado talento para entreter as pessoas através do esporte. A um grande médico lhe foi dado talento para curar e tratar. Todos talentos são importantes na sociedade.

Ponto 2: Você precisa fazer aquilo que lhe faz se sentir bem e em paz. Deus lhe dá ferramentas e você pode fazer várias coisas com elas, mas não necessariamente precisa fazer tudo. Entre várias habilidades que Deus me deu, há a capacidade de produzir textos razoáveis. Eu posso utilizar isso para escrever histórias de ficção, textos técnicos, divagações, críticas ou o que mais eu quiser. E esse é o grande ponto: o que faz eu me sentir bem?

Ponto 3: Não é porque você pode que você deve. Eu posso entrar em confronto com burraldos das redes sociais, reunir uma série de dados e demonstrar o quão imbecis estão sendo. Às vezes o confronto direto serve não para converter o idiota do outro lado, mas sim para ajudar a pessoa que está acompanhando a discussão e ainda não tem opinião formada. Porém, não é uma luta que eu devo comprar, dada a forma ruim que me sinto cada vez que isso ocorre.

Por que eu me odeio?

Já fiz muita terapia na minha vida. Todos profissionais que fui me ajudaram muito e sou muito grato a eles pelo serviço prestado.

Porém, minha terapeuta atual chegou a um ponto que eu não imaginei que seria possível chegar. Em uma sessão que eu fui, terminamos com ela fazendo-me a seguinte pergunta: “Por que você se odeia?”. A pergunta é mais interessante ainda pois ela vem logo após um relato meu sobre a sensação que tenho de não merecer coisas boas que acontecem comigo, e chega ao meu cerne. Poucas vezes algo/alguém chega ali. Ela descobriu.

Passei muito tempo refletindo sobre isso e escrevi um texto de apenas 8 páginas justificando o porquê de eu me odiar. E não disse tudo o que eu gostaria de dizer. Faltou dizer o seguinte:

“Não entendo como posso não ser bem aceito em um mundo repleto de completos retardados mentais. Vocês, retardados, julgam-me, criticam-me, ignoram-me e não são capazes de ver o quão ignorantes e imbecis são.”

Claro que não vou publicar o resto do texto aqui. Vocês são burros demais para entendê-lo.

A Grande Pergunta da Minha Vida

Percebi que até hoje eu não sei bem o que vim fazer na Terra. Vejo alguns atos conciliatórios que tive com espíritos com os quais eu tive sérias intrigas no passado; Vejo aprendizados, em relação a como a vida é muito mais difícil e escura do que parece ser quando se não está aqui; Vejo amigos que conquistei e alguns que revi; Vejo algumas pessoas que pude ajudar; Vejo amor dos meus pais. Não quero lhes dizer que a vida é ou foi inútil, muito pelo contrário. Até o dia de hoje, aprendi muito e tive experiências engrandecedoras. O que eu não percebi e não entendo é se há alguma missão ou algo maior que eu deveria fazer além do crescimento pessoal, pois o maior peso que tenho desde que comecei a despertar nesse mundo não diminui durante minha caminhada:  a solidão.

Não se trata de estar cercado de pessoas ou de ter um relacionamento. A solidão é muito mais profunda do que isso. Sinto-me como um viajante perdido acolhido em um lar temporário onde ninguém fala o meu idioma.

Por isso, a pergunta que me faço desde que tenho consciência de mim é: O que eu preciso fazer para deixar de estar só?

Durante alguns anos eu pensei que a solidão cessaria quando eu começasse um relacionamento estável. Grande engano. Confesso, é verdade, que por diversos momentos com diversas pessoas a solidão não existiu, pois eu tive a felicidade de ter lapsos de companhia. Sentia-me completo, ouvido, atendido, amado. Mas isso não foi uma constante. Foram momentos esporádicos que vivi para poder ter o consolo de Deus de me dar uma demonstração de como é não se sentir só.

Hoje, apesar de ter alguém e morar com essa pessoa, a solidão afetiva e mental que sinto leva-me a rever todas ações que tive referente a relacionamentos interpessoais desde a mais tenra infância até os dias de hoje, na busca por uma resposta à pergunta: onde foi que errei?

Então você pode perceber que minha busca pela minha missão é na verdade uma busca para acabar com minha solidão, pois entendo que somente deixarei de estar assim quando cumpri-la ou estiver nela trabalhando. A pergunta, portanto, deveria ser: qual é a minha missão? Talvez por ter me desviado, Deus esteja “me punindo” com esse peso. Ele sabe, eu sei, que posso carrega-lo até o fim, porém Ele também sabe que é meu dever tentar lutar para fazer as coisas da maneira certa e, assim, aliviar-me.

Independente da minha missão, sei que errei. Se voltar ao início da minha adolescência e até à infância, lembro-me que eu nunca me julguei merecedor de ninguém e sempre tive uma autoimagem muito ruim. Qualquer menina que demonstrasse algum interesse em mim que pudesse levar a algum tipo de relacionamento, eu já via como “impressão minha”, “coisa da minha cabeça”, alucinação e fantasia, pois, afinal, como poderia esta menina tão legal estar interessada em alguém tão errado como eu? De certa forma isso fez eu me afastar de todas elas e foi confirmado com diversas decepções amorosas, por meninas que eu me apaixonava mas comprovadamente não me viam da mesma forma. O início desse pensamento de “não ser merecedor” não deveria ter me afetado tanto se eu tivesse em minha missão? Eu estava fora da missão desde tão jovem assim?

Deus em sua bondade concedeu-me relacionamentos e neles vários períodos de plenitude. O que eu fiz para que esses períodos deixassem de existir? É simples colocar toda a culpa em terceiros, mas evidentemente que há algo errado em mim e talvez aquela ideia adolescente de que “não sou merecedor de companhia” seja a ideia correta e a resposta para a grande pergunta da minha vida.

Ecos Silenciosos

Comecei a escrever e publicar textos aos 15 anos de idade. O retorno que eu tinha, especialmente com o blog 5150, que surgiu aos meus 18 anos, fazia eu me sentir entendido, compreendido, atendido e feliz por encontrar pessoas semelhantes a mim. O blog foi tão bom que graças a ele eu tive minha primeira namorada. Tudo o que eu escrevia reverberava entre meus amigos, entre meus leitores, entre minha namorada. Minhas palavras ganhavam força e como ondas, iam até a praia, voltavam até mim e me confortavam.

Vinte anos depois e hoje falo para fantasmas. Não se trata somente do que eu escrevo, mas sim do que eu digo. Um ponto da vida em que me tornei um jovem velho de 30 e poucos anos que fala sozinho, pois as pessoas simplesmente não me ouvem mais. Ainda questiono minha sanidade, questiono se não enlouqueci completamente e por isso não sou ouvido.

Escrevo para fantasmas, falo para paredes. Ninguém me ouve como as pessoas do passado ouviam. Ninguém ama como amaram.

Ouço somente minha tempestade interna e solitária. Ouço os ecos de um silêncio que eu mesmo causei pelas decisões mal tomadas e pela forma errada em que conduzi alguns aspectos da minha vida. Apesar disso, não tenho de maneira clara onde errei e nem no que eu errei. Talvez devesse ter me preocupado menos, talvez devesse ter me importado menos e prestado mais atenção naquilo que era uma agradável chuvinha de verão, antes que se tornasse em uma gelada e catastrófica tempestade interna.