Quem liga?

Eu tenho centenas de coisas a dizer. Quase todos os dias ou eu escrevo alguma coisa ou eu penso em algo que gostaria de dizer, porém não tenho mais publicado nada, pois dá muito trabalho maquiar o que realmente quero dizer. Criar histórias, cenários e presepadas em geral para não deixar totalmente explícito o que estou pensando é desgastante.

E o ponto também nem é esse trabalho, pois é até divertido em certos aspectos. O ponto é que ninguém se importa.

Mentira. Minha psicóloga se importa durante 45 minutos, enquanto eu conseguir pagá-la.

Malucos Sem Faixa

É engraçado como nas férias do karatê eu comecei a perceber alguns ensinamentos latentes das aulas do sansei, não necessariamente relacionados à luta em si. Por exemplo, o grau de exigência que ele tem com os faixas preta é diferente do grau de exigência que ele tem com nós, faixas “coloridas”. Isso pode parecer a coisa mais óbvia do mundo, mas tente perceber o que está por trás disso: ele não nos desmotiva por não conseguirmos executar o golpe com a perfeição de um faixa preta e ele exige de nós até onde ele sabe que conseguimos chegar no momento, para no futuro termos a possibilidade de chegar até a faixa preta. Algum movimento que era aceitável antes, agora ele já cobra que corrijamos conforme vamos avançando nos treinos. Se ele tivesse exigido lá nas primeiras aulas, quando eu era só um maluco sem kimono, o que ele exige hoje, eu teria desistido e achado totalmente impossível ter chegado até onde consegui chegar.

E aí eu pergunto: o mundo é assim em relação a nós ou exige que sejamos sempre faixas preta?

Quando começamos um projeto qualquer, quantos desgraçados vêm tentar nos desmotivar e quantos vêm incentivar?

Acho que o mundo é composto de malucos sem kimono e empatia.

Eu Não Me Importo Com a Sua Opinião

Cogito retirar os comentários de todos os meus “meios de comunicação”, pois é mentira que eu me importo com comentários. Na verdade, eu me importo sim, se forem comentários positivos, que acrescentem alguma informação legal ou alguma pergunta pertinente. Comentários discordando ou a “sua opinião diferente” não me interessam em nada e eu vou apagar, pois o meu espaço não serve para a sua “opinião diferente”. Sim, isso aqui é uma ditadura. Crie o seu próprio espaço, a sua própria ditadura, e divulgue o que pensa lá que se eu me interessar vou lá ver o seu conteúdo.

Sou vadio

Uma coisa que aprendi é que as respostas estão todas em nós. Procurando em mim as respostas para meus dilemas, descobri um dos meus grandes problemas: eu sou vadio. Para caralho.

Não, eu trabalho, sempre trabalhei. Aliás com 15 anos eu já trabalhava, não por necessidade, mas sim para comprar coisas que eu queria. Todas atividades que meus chefes dão com prazo eu as entrego dentro desse prazo e com a melhor qualidade que eu conseguir. Eu gosto também de fazer coisas extras além do trabalho em si, costumo ser bastante proativo quando eu gosto do que faço. Por exemplo, já trabalhei em softwares cujo código base era bem ruim e me dispunha a “refazer” aquele código junto com minhas atividades.

Então eu trabalho. A vadiagem que eu tenho é em outro sentido.

Se meu chefe me dá uma atividade sem prazo e eu não gosto muito dela, aí é uma desgraça completa. Eu acabo me dispersando com muita facilidade e enrolando o máximo que dá. Se ele colocar um prazo, eu faço o melhor e mais rápido possível. Em geral, sem falsa modéstia, o trabalho fica bom.

Mas aí que está a minha vadiagem: eu faço o mais rápido possível porque quero vadiar! Quero terminar antes e deixar um tempo livre para ficar escrevendo, gravando vídeos ou em redes sociais. Ou seja, eu quero ser bom para poder vadiar.

Não sei o que fazer com essa conclusão nem o que ela significa. Caso algum chefe meu leia isso um dia, fique tranquilo que se tiver prazo de entrega, eu vou fazer nem que eu precise virar noites. Sou um vadio responsável.

Bilhões de Deus

Estima-se que o Universo tenha cerca de 13.8 bilhões de anos. Se fôssemos representar esses anos desenhando uma linha que tivesse 1 cm para cada ano, ou seja, 13.8 bilhões de centímetros, faríamos uma linha de 138 mil quilômetros, o suficiente para dar cerca de 3 voltas e meia ao redor da Terra (no equador). Se fôssemos contar todos esses anos, contando 1 ano por segundo, demoraríamos aproximadamente 438 anos para contar. Isso dá uma dimensão da idade estimada do Universo.

Big-bang, 13.8 bilhões de anos depois e aqui estamos. Na imensidão do cosmos e em todos bilhões de anos de sua existência, esse momento em que escrevo jamais se repetirá. Todos esses bilhões de anos para finalmente chegarmos aqui, para eu poder escrever e você poder ler.

Na infância parece que o tempo passa muito devagar e quando chegamos à vida adulta, os anos parecem meses. Passa tudo muito rápido. Uma vez me disseram que isso acontecia porque há muito mais novidades nas vidas das crianças e por isso os dias parecem muito diferentes uns dos outros, enquanto que para os adultos os dias são praticamente iguais. Acreditei nisso durante muito tempo.

Hoje penso que a grande diferença é que as crianças não se preocupam com o passado e com o futuro. Elas estão super fixas no presente, pois não há muito passado para elas e o futuro é no máximo qual será a brincadeira de amanhã com os amigos.

Nós adultos remoemos o passado. Temos nostalgia. Experimente explicar a nostalgia para uma criança de 8 ou 9 anos. Simplesmente não fará sentido:

                – Filho, nostalgia é um tipo de saudade de um passado em que vivemos, onde tudo parece que era muito melhor do que é hoje e gostaríamos de voltar para lá, mesmo que na verdade não seja.

                – Hum… como na época dos dinossauros? Eu tenho nostalgia. Queria voltar para época dos dinossauros!

O futuro é uma incerteza constante para todos, mas os adultos são os únicos que o vivem. Imagine que você esteja em um emprego que não gosta, mas esteja estudando para ir para um emprego melhor. Durante esse tempo, você não tem certeza que terá êxito nessa mudança de trabalho. Então, está vivendo uma incerteza do futuro. “Será que isso dará certo?”. A dúvida acerca do futuro se transforma no seu presente e você passa a viver algo que não sabe se acontecerá. As crianças normalmente não fazem isso. Elas não planejam sua vida adulta e sequer têm dúvidas sobre “o que fazer da vida”.

E essa é a grande diferença que faz as crianças terem a sensação de que o tempo passa muito mais lentamente: elas vivem somente o presente. Elas vivem somente um tempo por vez. Elas andam 1 centímetro por dia.

13.8 bilhões de anos para criar seres mais ou menos racionais que tentam burlar as leis da física estando em dois tempos no mesmo momento. Só Deus explica.