Eterno

Este blog é eterno, enquanto a eternidade durar. Ele contém apenas uma ínfima parte de tudo que já escrevi e se no começo, lá em 2001, ele foi criado para compartilhar pensamentos meus com o mundo, hoje ele é uma espécie diário pessoal misterioso e público. Assim como um diamante que precisa ser lapidado até chegar ao seu estado mais belo, este blog precisou ser lapidado durante anos e anos, até chegar ao ponto em que eu queria. Ainda não está lá, mas vai chegar, conforme eu for me descobrindo, ficando velho e tendo cada vez mais claro para mim o que eu realmente quero.

E é só isso que tenho a dizer nesse momento.

O Fim

No princípio, achei que eu fosse a escuridão. Depois, achei que eu fosse a luz. Em ti, joguei a culpa por todas as minhas dores e as frustrações com o mundo. Te culpei, te caluniei, te julguei e te condenei.

Hoje eu vejo que nunca fui a luz nem a escuridão, fui apenas humano em constante evolução. Assim como você. Talvez eu tenha errado muito mais justamente por não poder errar. Talvez eu tenha te machucado quando virei faca para mim e pressionei. Talvez.

O corte foi muito profundo e no escarlate das minhas mãos pude ver a sua dor.

A culpa não foi minha, a culpa não foi sua.

O fim chegou e a realidade cobrou seu preço. Espero que você e Deus me perdoem, mas mais do que isso, espero que eu consiga perdoar a mim mesmo.

Obrigado e desculpe-me.

Meu Nome

Mudei meu mundo por você.
Por amor, por compaixão, por amizade.
Dei minha vida pelo sonho, parceria e união.

Abri meu coração, derramei minhas lágrimas
Sangrei meu trabalho.
Você se afastou.
Você me afastou.

Esconde-se!
Por de trás do véu do orgulho,
para nunca pedir desculpas
Nunca ver quem eu sou.

Diga o meu nome.
Diga quem eu sou.
Não sou a Fonte que você há muito não tem.
Diga o que eu sou.
Não sou o fim, sou o caminho a ele
Diga meu nome
Não sou o final, sou o prólogo

Não peço palavras de gratidão, pois as palavras eu já domino.
Não peço dinheiro, pois ele logo vai.
Não peço o que não pode.
Não peço um escravo.

Peço uma companhia.
Peço alguém que queira voar comigo aos mais altos céus, nas noites estreladas, nas manhãs chuvosas, nas tardes ensolaradas, no frio do outono e no calor da primavera.

Diga meu nome.
Diga quem sou.
Caminhe ao meu lado, esteja comigo, não apenas me transforme em uma necessidade.

Um dia eu irei e sem mim você caminhará. A culpa e a saudade lhe consumirão e você sempre soube que poderia ter evitado.

Não é pelo meu nome.
Não é pela solidão.
Mas adiante, eu caminharei.

Não é uma ameaça,
é a Lei do Universo.

Diga meu nome.
Diga uma vez, mas não ache que é o suficiente.
Reconheça quem eu sou, mas não julgue que tudo resolveu.

Caminhe ao meu lado, mas não espere que eu reduza o passo.
Talvez seja tarde demais e não importe mais quem eu sou.
Talvez o destino já esteja selado e sua dor será maior.

Eu tentei.

Ao menos, quando eu me for, diga-me “adeus”.

E meu nome.

Orgulho

Nunca foi muito claro para mim o que acontecia com você, até que vi as pedras molhadas. O mesmo orgulho que te impediu de procurar A Fonte poderá ser aquele que me afastará definitivamente de você. Percebe? Acho que você nunca percebeu. Não posso te culpar, pois o véu que que te cega para o mundo é o mesmo que não te permite ver o espelho.

A Fonte machucou, mas daquela água você bebeu e para não querer se sujar com a lama empoçada às margens da Fonte, esperou que o curso do rio desviasse até você.

Ele nunca desviou.

Acreditou ser mais forte, mais puro, mais evoluído, porém jamais teve a humildade de deixar esse orgulho para lá e andar descalço.

Afasta-me lentamente.

Você se afasta de mim, iludido por uma teimosia e apego a uma imagem fantasiosa.

Espero que acorde enquanto eu esteja aqui, para que não seja tarde demais e seu coração sofrido não tenha que carregar mais uma culpa pelo resto da sua vida e além.

A Fantástica Fantasia

Tudo é uma fantasia se a realidade não faz sentido. Assim, seriam os nossos sonhos um vislumbre de como tudo poderia ter sido se não estivéssemos entorpecidos?

Entorpecidos pela busca eterna de uma felicidade externa. Uma alegria que depende dos outros e de como eles são para nós. Reconhecimento, amor, compaixão, amizade, empatia. Você sacrificaria a única coisa que é sua – e somente sua – para viver flutuando em um oceano que não é seu?

Um oceano onde é preciso estar na superfície para respirar. Boiando, olhando para o céu, sentindo as ondas sacudirem levemente o seu corpo, enquanto tudo que está abaixo não importa realmente. Nunca importou, pois não era algo realmente seu.

E agora?

Não há mais o que fazer. Não há mais o que ser dito. É uma épica que se aproxima do instrumental final. Gritou, mas não foi ouvido. Chorou, mas não choraram junto. O desespero toma conta conforme o fim se anuncia.

O fim onde ficará claro que tristeza e felicidade são faces diferentes da mesma moeda e tudo que sempre importou foi a verdade que Deus mostrou.

Deus é tímido. Deus não gosta de fazer discursos e explicar Sua obra. As respostas estão todas prontas da maneira mais perfeita que Ele, e somente Ele, poderia ter feito.

E assim, enquanto estivermos entorpecidos esperando encontrar uma felicidade máxima, perfeita e irretocável, em oceanos de terceiros, em fantasias onde somos o que não queremos ser, na esperança de um gesto empático de quem não tem empatia, estaremos fadados à nossa destruição.