A Grande Verdade Sobre Mim

Sempre me isolei e as causas disso são duas razões distintas, porém relacionadas: 

  1. Sinto e considero que estou incomodando os outros; 
  2. Acho a grande maioria das pessoas desinteressante. 

Isso evidentemente trouxe consequências enormes em minha vida, tais como ter poucas amizades e estar em relacionamentos onde meu par acabe ficando distante de mim e não se importando tanto comigo. Não são necessariamente coisas boas ou ruins. Uma pedra é boa ou ruim? Um copo é bom ou ruim? Depende do que se faz. 

Não nego o sentimento de solidão e isolamento, que às vezes me consome. Também não nego a vontade de estar rodeado de pessoas, amigos, familiares e conhecidos. 

Por outro lado, não acho interessante a maioria dos relacionamentos interpessoais propostos à minha existência,  embora eu goste de ser procurado quando há um interesse legítimo e honesto em minha pessoa.

Logo, há um conflito. 

Revendo tudo que fiz até hoje, em praticamente todos relacionamentos sociais que eu tive, houve a sensação de “busca por algo”, como se eu fosse um detetive tentando encontrar alguma verdade ou alguma peça que faltasse para dar um sentido à vida. 

Com o fracasso dessas buscas, eu sempre acabo voltando à solidão e quando estou pleno nela, acabo me sentindo livre. 

A sensação é que não pertenço a este mundo. Talvez eu pertença a um mundo inferior ou superior e esteja distante dos meus semelhantes, daqueles que me compreendem e me despertem interesse, pois minha visão de mundo é simplesmente diferente de todas as pessoas que conheço e conheci. 

Você argumentará o óbvio: cada pessoa tem uma visão de mundo diferente. Contra-argumento concordando com você mas complementando que, apesar das diferenças de visões, elas seguem mais ou menos um padrão geral, e eu não. 

As pessoas buscam conceitos para tentar compreender o mundo e nisso aplicam diversos estereótipos a mim. No começo eu ficava com raiva, hoje eu acho engraçado e às vezes até bonitinha a forma inocente como elas tentam me enquadrar. 

Conheci algumas pessoas que são bastante semelhantes a mim em diversos aspectos, porém que parecem ter se adaptado bem ao padrão geral, coisa que eu não consegui. Essas pessoas, por mais que eu goste delas, não têm uma visão tão semelhante a minha e não fazem eu me sentir parte de um todo. 

Então eu volto à minha ilha. Quando estou centrado nela e desligado do mundo em que estamos, tudo é bom, tudo é tranquilo, há paz e silêncio. 

Um comentário em “A Grande Verdade Sobre Mim

Os comentários estão encerrados.