A Grande Pergunta da Minha Vida

Percebi que até hoje eu não sei bem o que vim fazer na Terra. Vejo alguns atos conciliatórios que tive com espíritos com os quais eu tive sérias intrigas no passado; Vejo aprendizados, em relação a como a vida é muito mais difícil e escura do que parece ser quando se não está aqui; Vejo amigos que conquistei e alguns que revi; Vejo algumas pessoas que pude ajudar; Vejo amor dos meus pais. Não quero lhes dizer que a vida é ou foi inútil, muito pelo contrário. Até o dia de hoje, aprendi muito e tive experiências engrandecedoras. O que eu não percebi e não entendo é se há alguma missão ou algo maior que eu deveria fazer além do crescimento pessoal, pois o maior peso que tenho desde que comecei a despertar nesse mundo não diminui durante minha caminhada:  a solidão.

Não se trata de estar cercado de pessoas ou de ter um relacionamento. A solidão é muito mais profunda do que isso. Sinto-me como um viajante perdido acolhido em um lar temporário onde ninguém fala o meu idioma.

Por isso, a pergunta que me faço desde que tenho consciência de mim é: O que eu preciso fazer para deixar de estar só?

Durante alguns anos eu pensei que a solidão cessaria quando eu começasse um relacionamento estável. Grande engano. Confesso, é verdade, que por diversos momentos com diversas pessoas a solidão não existiu, pois eu tive a felicidade de ter lapsos de companhia. Sentia-me completo, ouvido, atendido, amado. Mas isso não foi uma constante. Foram momentos esporádicos que vivi para poder ter o consolo de Deus de me dar uma demonstração de como é não se sentir só.

Hoje, apesar de ter alguém e morar com essa pessoa, a solidão afetiva e mental que sinto leva-me a rever todas ações que tive referente a relacionamentos interpessoais desde a mais tenra infância até os dias de hoje, na busca por uma resposta à pergunta: onde foi que errei?

Então você pode perceber que minha busca pela minha missão é na verdade uma busca para acabar com minha solidão, pois entendo que somente deixarei de estar assim quando cumpri-la ou estiver nela trabalhando. A pergunta, portanto, deveria ser: qual é a minha missão? Talvez por ter me desviado, Deus esteja “me punindo” com esse peso. Ele sabe, eu sei, que posso carrega-lo até o fim, porém Ele também sabe que é meu dever tentar lutar para fazer as coisas da maneira certa e, assim, aliviar-me.

Independente da minha missão, sei que errei. Se voltar ao início da minha adolescência e até à infância, lembro-me que eu nunca me julguei merecedor de ninguém e sempre tive uma autoimagem muito ruim. Qualquer menina que demonstrasse algum interesse em mim que pudesse levar a algum tipo de relacionamento, eu já via como “impressão minha”, “coisa da minha cabeça”, alucinação e fantasia, pois, afinal, como poderia esta menina tão legal estar interessada em alguém tão errado como eu? De certa forma isso fez eu me afastar de todas elas e foi confirmado com diversas decepções amorosas, por meninas que eu me apaixonava mas comprovadamente não me viam da mesma forma. O início desse pensamento de “não ser merecedor” não deveria ter me afetado tanto se eu tivesse em minha missão? Eu estava fora da missão desde tão jovem assim?

Deus em sua bondade concedeu-me relacionamentos e neles vários períodos de plenitude. O que eu fiz para que esses períodos deixassem de existir? É simples colocar toda a culpa em terceiros, mas evidentemente que há algo errado em mim e talvez aquela ideia adolescente de que “não sou merecedor de companhia” seja a ideia correta e a resposta para a grande pergunta da minha vida.