Questionando a Minha Sanidade Mental

Eu sempre fui uma pessoa que gosta de se fechar para o mundo por um certo período e questionar seus próprios pensamentos, valores, comportamentos e ideias. Esse processo tende a ter um ou mais dos seguintes desfechos:

  1. Eu mudo de opinião;
  2. Eu reforço meu pensamento;
  3. Tenho alguma ideia nova.

Ultimamente tenho feito essas reflexões com alguns temas que com certeza originarão vídeos para o meu canal e também textos para este blog. Parece, para quem está lendo agora, que são temas extremamente complexos ou profundos, mas não necessariamente são. Eu gasto um bom tempo pensando em coisas que são importantes para mim e que que nem sempre são profundas ou de utilidade geral.

Atualmente, de uma maneira geral, essas reflexões estão me conduzindo a algumas conclusões que refletem a forma como eu vejo o mundo e que é possível que mais pessoas se identifiquem, por isso vou compartilhar algumas “conclusões”. Coloco “conclusões” entre aspas porque não acho que seja algo definitivo:

  1. Em geral, tenho dificuldade em encontrar pessoas com pontos de vista semelhantes aos meus, referente a situações, mundo e sociedade;
  1. Sendo assim, pode-se dizer que geralmente eu não tenho uma forma de pensar muito comum;
  1. Portanto, se minhas opiniões e forma de pensar normalmente não condizem com a maioria, então (a) eu estou abaixo da média ou (b) estou acima;
  1. Se estou abaixo, seria capaz de perceber que estou nesse ponto?4. 1. É notório que as pessoas intelectualmente mais limitadas normalmente são muito arrogantes e acham que sabem muito mais do que sabem;

    4.2. Porém quando se é burro demais, alguém muito inteligente pode soar arrogante para você;

    4.3. Sendo assim, apesar da minha constante sensação de que sei menos do que penso que sei, será que percebo tanta arrogância e burrice nas pessoas por estar intelectualmente abaixo delas e não acima?

  1. Se estou acima, que elementos posso utilizar para comparar e comprovar isso?5.1. Diversas vezes eu já encontrei pessoas reconhecidamente mais inteligentes que eu chegando a conclusões iguais ou semelhantes às minhas;

    5.2. Emocionalmente eu não tenho muita paciência para aquilo que eu considero burrice, o que talvez acabe soando como arrogância. Assim, talvez eu seja um ignorante arrogante;

    5.3. Porém, isso talvez seja um traço de personalidade e/ou falta de inteligência emocional e não necessariamente falta de inteligência racional.

Entretanto essas “conclusões” podem ser apenas uma linha de raciocínio lógica de um louco. Para continuar com essa análise, é preciso pontuar que uma pessoa pode ser brilhante em uma área específica, mas completamente louca aos olhos da sociedade e em seus relacionamentos interpessoais. Cito dois exemplos clássicos de verdadeiros gênios da humanidade que se enquadravam nessa situação: Isaac Newton e Bobby Fischer. Newton provavelmente você já conheça como um dos cientistas mais brilhantes de todos os tempos, popularmente mais conhecido por ser o pai da teoria da gravitação universal e das três leis de Newton. Era uma pessoa bastante solitária e temperamental, sendo que se não fosse pela insistência e tato de seu amigo Halley (sim, o cara que deu o nome ao cometa), provavelmente a obra de Newton jamais teria sido publicada e divulgada. Newton não costumava publicar seus trabalhos por não gostar das críticas e nesse ponto eu o entendo perfeitamente: se eu, que não sou gênio de nada e publico textos bem comuns já não tenho paciência com “brilhantes críticas” de imbecis arrogantes e analfabetos funcionais, imagino como deveria soar ofensivo para um dos homens mais brilhantes da humanidade ter que lidar com eles, uma vez que praticamente toda humanidade comparada a ele é imbecil.

O segundo nome foi um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos, que devido a declarações e algumas atitudes suas, era considerado “louco”. Para se ter uma breve ideia, Fischer deu declarações de apoio ao atentado de 11 de setembro e faz declarações antissemitas. Detalhe: sua mãe era judia. Você pode ler mais sobre essa lenda do xadrez no texto “Mentiras e Verdades sobre Bobby Fischer”, no site do Rafael Leitão, um brasileiro Grande Mestre do xadrez e nesse outro texto, “Bobby Fischer: Islândia e Buenos Aires”, escrito por Tales Torraga. Só pelo título desse último texto você já pode imaginar um pouco sobre a personalidade do americano Bobby Fischer.

Assim percebe-se que a loucura não significa falta completa de raciocínio lógico e de uma visão precisa acerca de um determinado assunto. Loucura está mais relacionada à excentricidade.

Estou utilizando esses dois exemplos extremos não para comparação de intelecto, é evidente, mas sim para ter exemplos com características exageradas e assim poder me observar melhor, comparando-me com alguém exageradamente inteligente e louco.

Pois então, que feitos eu posso observar no meu nível de intelecto? Bem, essa é uma pergunta bastante pessoal, que quando respondi a mim mesmo de forma silenciosa, pude concluir essa jornada de investigação da minha loucura com as seguintes conclusões:

  1. Sim, é bem possível que eu seja louco em alguns aspectos, o que não implica que algumas análises que eu faça estejam incorretas, uma vez que meu raciocínio lógico aparentemente não está afetado;
  1. Para ser considerado “louco”, deve haver em mim ideias, comportamentos e pensamentos que destoem do “normal”;
  1. Entretanto, isso não significa necessariamente que eu é que seja o errado, pois há diversos fenômenos como a “espiral do silêncio” ou o “efeito manada” que podem indicar justamente o contrário;
  1. A média geral da população em termos de inteligência e comportamento é simplesmente isso: a média. Ou seja, nada de mais, nada de menos;
  1. Sendo assim, qualquer ideia, percepção ou raciocínio que eu fizer e estiver acima da média, sempre irá destoar e não será compreendido pela massa;
  1. Considerando que as pessoas com quem eu exponho minhas ideias em conversas particulares, as pessoas que me leem e muitos dos que me assistem estão comprovadamente acima da média geral da população, o reconhecimento dessas pessoas me dá mais uma evidência de que minhas percepções têm muito mais chances de estarem corretas do que equivocadas;
  1. Sendo assim, posso ficar tranquilo e viver em paz com minha eventual excentricidade, aceitando-a como parte de mim, mesmo que aos olhos da média eu seja somente um maluco colocando besteira na Internet.

Vídeo complementar no meu canal: RELATOS DE UM LOUCO: https://youtu.be/NHAMXInIFbc