Malucos Sem Faixa

É engraçado como nas férias do karatê eu comecei a perceber alguns ensinamentos latentes das aulas do sansei, não necessariamente relacionados à luta em si. Por exemplo, o grau de exigência que ele tem com os faixas preta é diferente do grau de exigência que ele tem com nós, faixas “coloridas”. Isso pode parecer a coisa mais óbvia do mundo, mas tente perceber o que está por trás disso: ele não nos desmotiva por não conseguirmos executar o golpe com a perfeição de um faixa preta e ele exige de nós até onde ele sabe que conseguimos chegar no momento, para no futuro termos a possibilidade de chegar até a faixa preta. Algum movimento que era aceitável antes, agora ele já cobra que corrijamos conforme vamos avançando nos treinos. Se ele tivesse exigido lá nas primeiras aulas, quando eu era só um maluco sem kimono, o que ele exige hoje, eu teria desistido e achado totalmente impossível ter chegado até onde consegui chegar.

E aí eu pergunto: o mundo é assim em relação a nós ou exige que sejamos sempre faixas preta?

Quando começamos um projeto qualquer, quantos desgraçados vêm tentar nos desmotivar e quantos vêm incentivar?

Acho que o mundo é composto de malucos sem kimono e empatia.

Serei Verdadeiro

Desde 1999 eu sempre tive blogs ou algum “canal online”. O Abacate Doce surgiu como um blog voltado à informática e quando comecei a fazer um relativo sucesso, já sendo indicado por terceiros em fóruns e recebendo um número constante de visitantes, eu me sabotei e acabei gradativamente abandonando o site.

Mais ou menos na mesma época, criei outro blog, o 5150. Tinha cerca de 50 visitantes únicos por dia, o que era um número razoável para a época e pelo pouco esforço em que eu fazia para divulgá-lo. Já tinha um público cativo e bastante ativo. Também o abandonei, provavelmente por auto sabotagem.

Criei um canal no YouTube há pouco tempo, que dado o tipo de conteúdo que posto e a qualidade dos vídeos, imagino que o teto do canal seja de 600 inscritos com uma média de 50 visualizações por vídeo. Já estou próximo desses números.

No canal, os vídeos de maior sucesso são: o primeiro vídeo que fiz, falando de uma fruta que nasce no quintal de casa e outros vídeos sobre meu celular, que fiz dois anos depois do vídeo da fruta, quando voltei com o canal. A semelhança entre todos vídeos: eu fiz sem absolutamente nenhuma preocupação em agradar alguém e com o objetivo apenas de “largar na Internet, me assistir e ver se é interessante para mais alguém”.

Com os blogs, as épocas de maior sucesso e os textos que mais tiveram repercussão também foram aqueles que eu menos me importei.

Portanto, pra mim fica claro que as pessoas gostam de verdade e espontaneidade. O que faço de forma mais transparente e espontânea agrada mais as pessoas, especialmente no mundo falsificado que temos hoje.

Por outro lado, quanto mais verdadeiro eu for, penso que menos visitas e leitores terei, uma vez que o que verdadeiramente penso e a forma como me expresso não agrade um número significativo de pessoas, ou seja, a “minha verdade” é diferente da “verdade da maioria das pessoas”.

Mas isso não é nenhum problema. Danem-se! A única coisa que terei até o fim da minha vida sou eu mesmo, como já disse nesse vídeo. Evidentemente que fico muito feliz quando pessoas gostam, pois indica que não estou totalmente sozinho em alguma ideia, posicionamento ou gosto, além de indicar que estou trazendo entretenimento para alguém, o que é bem legal.

Porém, prefiro ter apenas uma visualização em cada vídeo e zero visitas no blog do que ser um personagem de mim mesmo ou mudar algo para agradar alguém que acha que eu estou prestando um serviço. Eu não estou prestando um serviço, eu não sou a companhia telefônica que tem um SAC para ouvir suas preciosas críticas e reclamações, tampouco sou uma plataforma de debates para ouvir sua opinião divergente: crie seu próprio blog e canal para isso.

E é isso.