A Bolha

Existe uma grande diferença entre a percepção que tenho de mim, a percepção que os outros têm de mim e a realidade. A realidade eu não sei qual é e a percepção que outros têm só existe para eles. Assim, levantei a hipótese de que estou vivendo em uma bolha. Tudo que está além dos limites da minha pele não faz parte de mim e compõe uma realidade diferente da minha. Como acredito em alma e espírito, nem mesmo este corpo que habito faz parte de mim realmente, sendo um invólucro temporário que utilizo para me locomover e interagir nesse mundo.

Conforme percebo que tenho ideias e pontos de vista que me distanciam da maioria das pessoas, essa bolha se torna mais definida e aumenta ainda mais o conflito entre as percepções externas e a realidade de dentro da bolha.

Sou uma essência, uma inteligência, uma alma aprisionada. Meu grande objetivo de vida deve ser fazer o que eu quero e o que eu quero é lançar palavras ao universo, permitindo que seres racionais as captem e as compreendam.

Convenci-me de que estou na bolha. Convenci-me de que estar só mesmo estando acompanhado é o estado mais puro, constante e real que posso alcançar.

Pessoas dizem que escrevo bem, mas sei que poucas leem e de fato se interessam pelo que escrevo e que essa ideia de que escrevo bem pode não ser real.

Entretanto, o que realmente importa, é o que escrevo ser lido por quem deve ler. Se não sou claro e dou margem a diversas interpretações, se tendo à escuridão com raros momentos de Sol e se gosto de ser assim, é o que basta.