Mãe Solteira – Parte 2: Tudo Não É Suficiente

Passaram-se alguns anos. Foi uma época muito difícil. Não sei quando saberão da minha história, mas hoje minha filha é uma moça de 14 anos. Foram os 14 anos mais duros da minha vida. Mais do que eu achei que seriam. Não pelo esforço que fiz, pois sabia que teria que fazer e já estava preparada para isso.

A solidão quando se está verdadeiramente só, é algo até prazeroso, pois te permite ser o que você realmente é. O duro é quando é uma solidão acompanhada.

solidãoPensei que seríamos companheiras. Que como mãe solteira e filha única, veríamos um no outro aquilo que os outros não viam em nós. Lutaríamos juntas e sangraríamos o sangue que nos une.

Foi um engano. A vida foi uma farsa. Meu verdadeiro amor a muito se foi. Partiu e nunca mais voltou. Nunca mais voltará.

Eu amo minha filha. Eu fiz e faço tudo por ela. Ela se esforça, mas não me ama. Como é possível uma filha não amar a mãe? Ela me trata com uma certa indiferença, como se a culpa do pai dela ter morrido fosse minha. Como se eu pudesse ter evitado. Como se uma parte de mim não tivesse morrido para sempre naquele dia. Como se meus sonhos não tivessem sido estraçalhados em um coração que se recusa a amar novamente.

Nunca quis outro homem, de medo de como ele fosse a tratar. Trabalhei duro. Mesmo em uma profissão rentável, tudo nunca era o suficiente para ela. Lavava, limpava, cozinhava, ajudava ela nos trabalhos da escola, dava presentes, roupas bonitas e caras, pagava uma boa faculdade e até deixava de comprar coisas básicas para mim para dar a ela.

Nunca tive um “obrigado”. Nunca tive um abraço. Só cobranças de como minha comida não era boa, de como eu não havia limpado direito, de como eu era dramática, de como eu era egoísta, de como eu suava pouco sangue, de como meu ego era inflado e de como tudo era culpa minha por criar expectativas sobre ela. Eu não sei se é culpa minha.

Eu acho que é. Acho que não fui uma boa mãe. Acho que esperar amor de alguém que eu não fui capaz de ensinar a amar é exigir demais. Talvez se ele estivesse aqui as coisas teriam sido diferentes. Mas ele não está e nunca mais estará.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s