Somos palavras não inventadas

O que somos? Para onde vamos? De onde viemos e o que estamos fazendo aqui? As religiões tentam explicar, os filósofos tentam entender. No nosso mais profundo íntimo, ao lado dos sentimentos mais primitivos, há essa necessidade de voltarmos para nossa origem, de entendermos o que somos. O que é esse sentimento? Já questionei muito. Nunca tive uma resposta.

É algo maior do que as palavras podem descrever? Está em mim? Se me volto a mim para busca-lo, invariavelmente questiono: o que eu sou? E todos nós temos a mesma dúvida. E nenhum de nós tem a resposta.

O que eu sou?

Para “eu” me ver, preciso antes me despir de tudo que existe e não é “eu”: roupas, pessoas queridas, bens materiais, família, trabalho, corpo físico, lazer, música. Em um silêncio profundo, em uma meditação profunda, eu me encontro. E descubro o que sou. Mas não posso descrever, pois nenhuma descrição com palavras é perfeita.

Sabe a sensação de caminhar na beira do mar e sentir as ondas molhando os pés? Você pode descrever essa sensação de infinitas formas. Todas estarão corretas, mas nenhuma será a verdadeira forma. Nenhuma fará o leitor ou ouvinte entender exatamente como é esse sentimento. E ele poderá ter a mesma experiência e descrever de outra forma igualmente válida.

OQueSou
O que eu sou? Quem eu sou? Arte by Jolussa.

São todos desenhos da verdade absoluta de como é esse sentimento. Nossa linguagem escrita e falada não permite uma descrição universal e verdadeira de como algo trivial realmente é. Pois então, como descrever uma existência espiritual?

Eu poderia pensar no que sou e sentir. As pessoas sentem Deus mas não conseguem explicar. Se forem explicar, precisariam fazer analogias, ou seja, desenhos linguísticos para tentar resumir algo extremamente grande. Essas pessoas o fazem quando falam de Deus e quem não sente Deus não entende. Pudera! Jamais entenderão.

E aí voltamos a minha questão inicial: o que somos? Se você pode sentir o que você é, pode descrever? Faltará palavras. Faltará adjetivos.

O que nos resta é apenas ser. É sentar diante da imensidão do que nós verdadeiramente somos se conseguirmos sentir isso. E apenas sentir, apenas saber, enquanto não inventam palavras para nos descrever.

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