Arte Para Ser

Quando eu estava no segundo grau, havia um colega que abertamente declarava que não queria fazer faculdade. Ele queria seguira carreira na música e isso causava estranheza nas pessoas.

Você diz “quero ser músico” e automaticamente a sociedade te vê como um vagabundo, por mais talentoso e criativo que você seja, por mais que você possa contribuir para ela tornando a vida mais agradável. Dizer que quer fazer medicina porque “dá muito dinheiro”, é aceitável e lhe renderá vários puxa-sacos novos. Mas dizer que quer fazer algo menos vistoso, mas que o quer porque ama e acredita que tem talento, automaticamente te transformará em alguém que não quer nada da vida.

Caminhando descalço na chuva

Você diz que eu sou louco, eu digo que sou livre.

Pois os artistas – músicos, pintores, atores, fotógrafos, escritores e tantos outros – são aqueles que dão as cores à nossa vida preto e branco. São aqueles que tornam o dia a dia mais agradável. São aqueles que nos inspiram. Estas pessoas nos mostram com uma música, quadro ou texto, o mais profundo de nossas almas. Elas descrevem os sentimentos. Elas descrevem o irracional que grita por atenção. Elas abrem as portas da alma. A inspiração muda vidas através da alma e nenhum psiquiatra e suas tarjas pretas consegue fazer isso.

Sentir e se inspirar

Sou apaixonado pela música. Os músicos que me inspiram, são pessoas que através de seu trabalho tornam a minha vida agradável, inspiradora, brilhante. Todos momentos da minha vida possuem uma trilha sonora, dos mais tristes aos mais alegres. É difícil racionalizar como essas obras me conectam a emoções que não encontro no dia a dia.

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Quadro do Jolussa

A arte não foi feita para ser racionalizada, foi feita para ser sentida e admirada.

Meu pai é um artista brilhante. Seus quadros são manifestações pura de emoções e sentimentos. Conhecendo a trajetória dele, eu entendo toda a profundidade de suas obras e tenho certeza que um dia, seja durante minha vida ou na vida de meus filhos, seus quadros terão o devido reconhecimento. Aquelas imagens abstratas carregam décadas de sentimentos compreendidos somente por outros espíritos desconectados da matéria. A racionalidade não as abstrai. A profundidade de cada traço, cor e linha são sentidas em níveis mais profundos de consciência, como todas as boas artes.

A arte é simples como os segredos do Universo. É o E = mc² do espírito. Em um mundo onde criamos artifícios para tentar mostrar o que não somos, a pureza que um artista descreve vai contra o que tentamos ser.

Ser!

Nossa sociedade precisa urgentemente valorizar aquilo que nos faz sentir e não aquilo que nos faz parecer sentir o que não sentimos. A arte é um dos caminhos para a verdade.

Música é despertar da alma. Música é inspiração, é libertação. Pois fazer me parecer legal qualquer marca cara consegue. Mas fazer eu me sentir bem, só um artista com o verdadeiro dom divino consegue.

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Quadro do Jolussa

Essas pessoas, esses artistas, estão aqui para nos dizer algo. Eles não são vagabundos que não querem seguir um emprego formal de terno e gravata. Eles têm alguma ligação com algo superior que nos ajuda a seguir em nossas missões. Eles são enviados de Deus para tocar nossos corações, para nos libertar, para descarregar nossos sentimentos, para criticar o sistema, para nos alegrar, para nos embalar na solidão, para nos fazer companhia à noite.

Valorize-os. Respeite-os. Sinta suas obras e seja o que você quer ser.

Balada Pessoal

Certo dia estava lendo o relato de um jovem de 20 e poucos anos que se sentia totalmente deslocado por não gostar de “baladas” e estar procurando uma garota para namorar, não apenas “curtir”. Ele queria saber se isso era normal, se ele estava errado e se ele iria se arrepender de “não curtir” no futuro.

Na época que eu tinha essa idade, frequentava quase que semanalmente essas “baladas”. Sempre foram ambientes totalmente artificiais e desconfortáveis para mim. Frequentava por entender que era o “certo” e que eu “devia” fazê-lo, por me dizerem que “era ali que eu ia conhecer pessoas”.

Entretanto, apesar de me sentir bastante solitário, sabia que não iria encontrar “pessoas” lá. O ambiente era ruim para socializar, pois havia muito barulho e assim eu não poderia usar meu tradicional sarcasmo e bom humor. Então o que eu normalmente fazia era encher a cara e ficar observando.

Até que mais para frente, comecei a sair das baladas mais cedo. Comprar cerveja, batatinha e ir para casa ficar no ICQ conversando com pessoas com quem eu tinha afinidade. Era muito mais agradável.

alcoolatra_phEu com cerca de 21 anos tomando cerveja ruim em casa na frente do computador.

Com o tempo abandonei de vez essas “baladas” e comecei a ter esses questionamentos que o jovem teve. Com a internet cada vez mais presente, era claro para mim que por ali era o caminho para eu poder encontrar com mais facilidade pessoas mais parecidas comigo, mas a sociedade me dizia que era errado. “Como você não vai para balada? Lá que você vai achar namorada”.

Ora bolas, as pessoas com quem eu me identificaria estariam fazendo as coisas que eu gostaria de fazer e não indo para balada, não é mesmo?

Preciso contextualizar, era início dos anos 2000, então Internet ainda era algo longe das massas e vista como “coisa de nerd” de forma bastante pejorativa. Hoje as mesmas pessoas que criticavam, postam todas suas vidas nas redes sociais enquanto eu me mantenho um tanto quanto discreto. O mundo dá voltas.

Hoje entendo que aquelas experiências das “baladas” foram necessárias para formação do meu caráter e conhecimento do mundo em que estou inserido. Se eu não tivesse passado aquele tempo naqueles lugares, não teria essa visão hoje. Não entenderia que cada ser humano constrói seu caminho em busca da lapidação da sua joia interior.

O caminho certo é simplesmente aquele que te aproxima mais da tua alma. Seja na balada, na Internet, na caminhada no parque, no futebol ou na praia!

O certo a eu fazer pode ser errado a você e vice-versa!

Então, respondendo ao questionamento do rapaz sobre “baladas”, “curtir” e tudo mais: O conceito de “curtir” é totalmente relativo. Para mim, beijar uma moça que havia recém conhecido e talvez nunca mais falar com ela, era bizarro. Ir para um ambiente com música horrível, ser obrigado a vestir roupas que eu não gostava de usar apenas para poder entrar no lugar e, apesar dos amigos, ter que estar com tantas outras pessoas desagradáveis, não era exatamente “curtir”. O que eu gostava dessas saídas era a cerveja e poder conversar com os amigos quando não estávamos no meio do caos da música alta. E isso eu poderia fazer de casa, com outros amigos, música boa e cerveja mais barata.

Por isso, siga o teu caminho. Busque a tua felicidade pessoal. Fórmula mágica não existe e o molde social é simplesmente um padrão que normalmente as pessoas fazem e funciona para as pessoas adequadas a esse molde. Eventualmente elas poderão te julgar e criticar, mas entenda que isso não é feito por maldade. É apenas a ignorância com o diferente, o sentimento de ameaça pelo desconhecido. Você e eu fazemos isso também em outras oportunidades.

O importante é seguir tua alma. É procurar pessoas como tu fazendo as coisas que tu farias! Se alguém procura o mar, vai à praia, não à montanha. Se alguém te procura, vai aonde?

Siga teu coração e teus princípios. Seja feliz.

Solução Para a Vida de Todos

Um dos recursos mais bacanas do ser humano, é a capacidade de saber o que é melhor para a vida dos outros. São todos graduados em Ciência da Vida Alheia, com pós em Soluções Para Agentes Externos. Resolver a sua vida? Não. Jamais! O negócio é dar palpite na vida dos outros.

Quantas vezes alguém, sem ter o menor conhecimento da sua vida ou de você, e sem ser requisitado, já lhe deu alguma solução mágica para algo que você nem sabia que era um problema?

Por exemplo: tenho cabelo comprido há mais de 15 anos e barba há uns 10. Aparentemente, algumas pessoas consideram isso um problema e, portanto, recorrentemente, desde o ano 2000, fazem as perguntas:

  1. E esse cabelo… quando vai cortar?
  2. Rerere… e essa barba?

As respostas que eu deveria dar:

  1. Cuide da sua vida.
  2. Está na minha cara, não na sua.

Já ouvi também super dicas “de carreira”. Nessas “dicas”, percebi que as pessoas têm obsessão por concursos públicos. Algumas pessoas falavam tanto nisso comigo que precisei ser estúpido para elas pararem.

Observem que a questão aqui não é fazer ou não concurso público é simplesmente não se meter na dos outros sem ser convidado.

Mas por que esse fenômeno ocorre?

Minha tese é que tudo que é diferente é ameaçador.

“Estou eu, aqui no meu mundo, com usuários de gel e lâminas de barbear, estudando para um concurso público, quando surge um cabeludo barbudo que tem ambições diferentes da minha. Ele é diferente da minha tribo e talvez essa diferença represente um risco”.

Então a pessoa tenta diminuir a ameaça, ridicularizando, confrontando ou tentando modificar o agente amedrontador.

Pode haver a situação também em que a pessoa, sabe-se lá porque, acredita que você está infeliz ou em um caminho ruim e quer te ajudar dando a fórmula mágica dela.

Mas um fator muito interessante que deve ser considerado, é que nenhum desses doutores de vida alheia é um grande sucesso ou chegou onde você pretende chegar. E aí você pode trabalhar o conceito de “grande sucesso” afim de decidir o que é ou não um modelo a ser copiado e/ou admirado. Para você, é alguém rico? Alguém livre? Alguém independente? Alguém influente?

Ou seja, nem para o “sucesso” há um conceito definido. Cada pessoa tem seu caminho a seguir, seus modelos, suas bases, seus alvos. Não é porque ela usa lâminas de barbear ou não que ela é inferior ou está errada. A vida é estupidamente mais profunda que isso.

A vida é um caminho em busca de felicidade. É uma história que cada pessoa tem o direito de escrever.

É como uma noite escura em que estamos perdidos no mato, somente com uma lanterna, com diversas outras pessoas em caminhos paralelos porém distintos, cruzando-se eventualmente. Cada vez que direcionamos essa lanterna para o caminho do vizinho, deixamos de iluminar o nosso. E se cairmos na tentação de seguir a grama mais clara por onde nosso vizinho caminha, podemos encontrar percalços para os quais não estávamos preparados. Ou pior: descobrir que o nosso vizinho estava simplesmente procurando o caminho até o precipício mais próximo.

Leve como o ar

Às vezes eu sento diante de uma tela em branco no computador, com o sentimento de que devo procurar palavras para explicar algo que está no ar. É leve e, por isso, denso. Pensamentos e conexões com a vida, as pessoas, o infinito. Ideias, criaturas e criações que buscam sua própria descrição para saberem o que são.

Parece que tudo que há neste Universo está procurando uma resposta e que a resposta é a mesma para todas as questões.

Vida, luz, amor, respeito, conhecimento e humildade são trilhas que levam ao que procuramos. A resposta, porém, está dentro de nós, em cada espaço vazio entre nossos átomos, em nossa alma e também na consciência material.

O simples fato de existirmos e nos questionarmos já me faz pensar que talvez sejamos a própria resposta:

  1. Se do Nada viemos e para o Nada vamos, não deixamos de ser o Nada em nenhum momento, apenas assumimos uma forma diferente durante sua jornada;
  1. Se do Nada viemos e consciência criamos, talvez a própria criação de nossa consciência seja a conexão que faltava para chegarmos a compreensão plena, restando a nós continuarmos a jornada;
  1. E/ou se nada pode surgir do Nada e tudo sempre existiu, somos uma “apenas” uma existência em mutação constante que encontrará em si sua própria explicação, talvez não individualmente, mas como parte do Todo Eterno.

Nós: todas as criaturas e criações do Universo. Leve como o ar, denso como somos.