Meu Nome

Mudei meu mundo por você.
Por amor, por compaixão, por amizade.
Dei minha vida pelo sonho, parceria e união.

Abri meu coração, derramei minhas lágrimas
Sangrei meu trabalho.
Você se afastou.
Você me afastou.

Esconde-se!
Por de trás do véu do orgulho,
para nunca pedir desculpas
Nunca ver quem eu sou.

Diga o meu nome.
Diga quem eu sou.
Não sou a Fonte que você há muito não tem.
Diga o que eu sou.
Não sou o fim, sou o caminho a ele
Diga meu nome
Não sou o final, sou o prólogo

Não peço palavras de gratidão, pois as palavras eu já domino.
Não peço dinheiro, pois ele logo vai.
Não peço o que não pode.
Não peço um escravo.

Peço uma companhia.
Peço alguém que queira voar comigo aos mais altos céus, nas noites estreladas, nas manhãs chuvosas, nas tardes ensolaradas, no frio do outono e no calor da primavera.

Diga meu nome.
Diga quem sou.
Caminhe ao meu lado, esteja comigo, não apenas me transforme em uma necessidade.

Um dia eu irei e sem mim você caminhará. A culpa e a saudade lhe consumirão e você sempre soube que poderia ter evitado.

Não é pelo meu nome.
Não é pela solidão.
Mas adiante, eu caminharei.

Não é uma ameaça,
é a Lei do Universo.

Diga meu nome.
Diga uma vez, mas não ache que é o suficiente.
Reconheça quem eu sou, mas não julgue que tudo resolveu.

Caminhe ao meu lado, mas não espere que eu reduza o passo.
Talvez seja tarde demais e não importe mais quem eu sou.
Talvez o destino já esteja selado e sua dor será maior.

Eu tentei.

Ao menos, quando eu me for, diga-me “adeus”.

E meu nome.

Orgulho

Nunca foi muito claro para mim o que acontecia com você, até que vi as pedras molhadas. O mesmo orgulho que te impediu de procurar A Fonte poderá ser aquele que me afastará definitivamente de você. Percebe? Acho que você nunca percebeu. Não posso te culpar, pois o véu que que te cega para o mundo é o mesmo que não te permite ver o espelho.

A Fonte machucou, mas daquela água você bebeu e para não querer se sujar com a lama empoçada às margens da Fonte, esperou que o curso do rio desviasse até você.

Ele nunca desviou.

Acreditou ser mais forte, mais puro, mais evoluído, porém jamais teve a humildade de deixar esse orgulho para lá e andar descalço.

Afasta-me lentamente.

Você se afasta de mim, iludido por uma teimosia e apego a uma imagem fantasiosa.

Espero que acorde enquanto eu esteja aqui, para que não seja tarde demais e seu coração sofrido não tenha que carregar mais uma culpa pelo resto da sua vida e além.

Para Sempre

Este texto faz parte da série “O Último Trem Para o Paraíso”. Clique aqui para ler todos textos em ordem cronológica.

Você vive com a sensação de ser um intruso no mundo? Essa é uma sensação diferente da sensação de não pertencer a este mundo, pois apesar de não pertencer, você ainda pode ser um visitante ilustre e muito bem recebido. A sensação que tenho é de realmente ser um intruso, alguém que não deveria estar aqui e não é bem-vindo. Isso se reflete em toda minha vida, em tudo que faço, em tudo que fiz. Por isso parti de onde estava em direção a qualquer lugar. Entrei em qualquer trem, sem me preocupar para onde ia nem com o que encontraria.

– Somos todos rejeitados pelo simples fato de existirmos. Em algum momento da vida, acabamos sendo rejeitados sem termos feito nada. Somos o frio e o escuro: passivos, porém incômodos. Você também se sente assim?

– Sim, mas nunca consegui verbalizar. Passei a vida tentando fazer algo, procurando uma resposta, até que hoje, aqui neste trem, finalmente percebi que não há como um pássaro voar na água.

– Há quanto tempo você está aqui?

– Não sei, perdi a noção de tempo.

– É o que acontece quando nos encontramos. Não “nós” no sentido de “eu e você”, mas sim “nós” no sentido de “você com você” e de “eu com eu mesmo”. Chegou a falar com o Rei?

– Não, mas sei que há um Rei aqui.

– Impossível. Você deve ter falado com ele, mas não percebeu. Todos falaram com o Rei, assim como todos falam com Deus.

– Ué… não percebi ninguém que se apresentasse como Rei ou que parecesse ser um.

– Nesse lugar onde estamos, ninguém mais se parece com o que achamos que é. Até chegarmos aqui, passamos uma vida inteira em uma luta constante entre o que somos, o que pensamos, o que gostamos e o que o mundo em que vivemos aceita que sejamos. Então cada vez mais vamos escondendo partes de nós, para o bem e para o mal, colocando mais máscaras e camadas para esconder nossa essência. Ficamos sufocados para nos proteger do frio. Cada um que passou por isso, um dia entra nesse Trem e descobre que não precisa mais fingir e nem se proteger do frio. O Rei tira todas suas vestimentas de cashmere, suas joias de ouro e sua coroa, sua pose, seu título e então, pela primeira vez na vida, começa a ouvir a si mesmo e a Deus. Podendo ser o que ele realmente é acaba parecendo para nós, que não estamos com os olhos acostumados com o escuro, um mero louco com falas perturbadas. Porém se prestar bastante atenção, poderá ouvir a voz de um verdadeiro Rei.

– Talvez por isso ninguém se importe com a gente, nem mesmo aqueles que mais amamos, pois não somos algo verdadeiro.

– Não sei. Acho que não é isso. Acho que é difícil se importar com quem não é bem-vindo. Por mais que elas tentem, a gente sabe a verdade, sabe que somos um incômodo para elas. Não é por isso que estamos nesse trem, afinal?

– Um incômodo que elas nunca ousaram tentar entender. Empatia realmente é muito difícil, pois você precisa ter a habilidade de largar o que é e conseguir se colocar no lugar da outra pessoa e para isso precisa ignorar todos os apetrechos e penduricalhos da personalidade que ela precisa vestir para viver nesse mundo.

Eu espero que essa viagem continue para sempre. O escuro, o frio, o barulho do trem sobre os trilhos e todas essas pessoas com quem conversei e que, pela primeira vez, me fizeram eu me sentir aceito. Sem julgamentos, sem questionamentos fúteis, sabendo que eu comprei uma passagem exatamente como elas e como elas eu sou. Dizem que esse Trem vai para o Paraíso e é bem provável que lá eu volte a ser o incômodo que sempre fui. Não sei se é algo que devo me preocupar, pois nada pode ser melhor e maior do que a Eternidade em um Trem viajando para sempre.

Questionando a Minha Sanidade Mental

Eu sempre fui uma pessoa que gosta de se fechar para o mundo por um certo período e questionar seus próprios pensamentos, valores, comportamentos e ideias. Esse processo tende a ter um ou mais dos seguintes desfechos:

  1. Eu mudo de opinião;
  2. Eu reforço meu pensamento;
  3. Tenho alguma ideia nova.

Ultimamente tenho feito essas reflexões com alguns temas que com certeza originarão vídeos para o meu canal e também textos para este blog. Parece, para quem está lendo agora, que são temas extremamente complexos ou profundos, mas não necessariamente são. Eu gasto um bom tempo pensando em coisas que são importantes para mim e que que nem sempre são profundas ou de utilidade geral.

Atualmente, de uma maneira geral, essas reflexões estão me conduzindo a algumas conclusões que refletem a forma como eu vejo o mundo e que é possível que mais pessoas se identifiquem, por isso vou compartilhar algumas “conclusões”. Coloco “conclusões” entre aspas porque não acho que seja algo definitivo:

  1. Em geral, tenho dificuldade em encontrar pessoas com pontos de vista semelhantes aos meus, referente a situações, mundo e sociedade;
  1. Sendo assim, pode-se dizer que geralmente eu não tenho uma forma de pensar muito comum;
  1. Portanto, se minhas opiniões e forma de pensar normalmente não condizem com a maioria, então (a) eu estou abaixo da média ou (b) estou acima;
  1. Se estou abaixo, seria capaz de perceber que estou nesse ponto?4. 1. É notório que as pessoas intelectualmente mais limitadas normalmente são muito arrogantes e acham que sabem muito mais do que sabem;

    4.2. Porém quando se é burro demais, alguém muito inteligente pode soar arrogante para você;

    4.3. Sendo assim, apesar da minha constante sensação de que sei menos do que penso que sei, será que percebo tanta arrogância e burrice nas pessoas por estar intelectualmente abaixo delas e não acima?

  1. Se estou acima, que elementos posso utilizar para comparar e comprovar isso?5.1. Diversas vezes eu já encontrei pessoas reconhecidamente mais inteligentes que eu chegando a conclusões iguais ou semelhantes às minhas;

    5.2. Emocionalmente eu não tenho muita paciência para aquilo que eu considero burrice, o que talvez acabe soando como arrogância. Assim, talvez eu seja um ignorante arrogante;

    5.3. Porém, isso talvez seja um traço de personalidade e/ou falta de inteligência emocional e não necessariamente falta de inteligência racional.

Entretanto essas “conclusões” podem ser apenas uma linha de raciocínio lógica de um louco. Para continuar com essa análise, é preciso pontuar que uma pessoa pode ser brilhante em uma área específica, mas completamente louca aos olhos da sociedade e em seus relacionamentos interpessoais. Cito dois exemplos clássicos de verdadeiros gênios da humanidade que se enquadravam nessa situação: Isaac Newton e Bobby Fischer. Newton provavelmente você já conheça como um dos cientistas mais brilhantes de todos os tempos, popularmente mais conhecido por ser o pai da teoria da gravitação universal e das três leis de Newton. Era uma pessoa bastante solitária e temperamental, sendo que se não fosse pela insistência e tato de seu amigo Halley (sim, o cara que deu o nome ao cometa), provavelmente a obra de Newton jamais teria sido publicada e divulgada. Newton não costumava publicar seus trabalhos por não gostar das críticas e nesse ponto eu o entendo perfeitamente: se eu, que não sou gênio de nada e publico textos bem comuns já não tenho paciência com “brilhantes críticas” de imbecis arrogantes e analfabetos funcionais, imagino como deveria soar ofensivo para um dos homens mais brilhantes da humanidade ter que lidar com eles, uma vez que praticamente toda humanidade comparada a ele é imbecil.

O segundo nome foi um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos, que devido a declarações e algumas atitudes suas, era considerado “louco”. Para se ter uma breve ideia, Fischer deu declarações de apoio ao atentado de 11 de setembro e faz declarações antissemitas. Detalhe: sua mãe era judia. Você pode ler mais sobre essa lenda do xadrez no texto “Mentiras e Verdades sobre Bobby Fischer”, no site do Rafael Leitão, um brasileiro Grande Mestre do xadrez e nesse outro texto, “Bobby Fischer: Islândia e Buenos Aires”, escrito por Tales Torraga. Só pelo título desse último texto você já pode imaginar um pouco sobre a personalidade do americano Bobby Fischer.

Assim percebe-se que a loucura não significa falta completa de raciocínio lógico e de uma visão precisa acerca de um determinado assunto. Loucura está mais relacionada à excentricidade.

Estou utilizando esses dois exemplos extremos não para comparação de intelecto, é evidente, mas sim para ter exemplos com características exageradas e assim poder me observar melhor, comparando-me com alguém exageradamente inteligente e louco.

Pois então, que feitos eu posso observar no meu nível de intelecto? Bem, essa é uma pergunta bastante pessoal, que quando respondi a mim mesmo de forma silenciosa, pude concluir essa jornada de investigação da minha loucura com as seguintes conclusões:

  1. Sim, é bem possível que eu seja louco em alguns aspectos, o que não implica que algumas análises que eu faça estejam incorretas, uma vez que meu raciocínio lógico aparentemente não está afetado;
  1. Para ser considerado “louco”, deve haver em mim ideias, comportamentos e pensamentos que destoem do “normal”;
  1. Entretanto, isso não significa necessariamente que eu é que seja o errado, pois há diversos fenômenos como a “espiral do silêncio” ou o “efeito manada” que podem indicar justamente o contrário;
  1. A média geral da população em termos de inteligência e comportamento é simplesmente isso: a média. Ou seja, nada de mais, nada de menos;
  1. Sendo assim, qualquer ideia, percepção ou raciocínio que eu fizer e estiver acima da média, sempre irá destoar e não será compreendido pela massa;
  1. Considerando que as pessoas com quem eu exponho minhas ideias em conversas particulares, as pessoas que me leem e muitos dos que me assistem estão comprovadamente acima da média geral da população, o reconhecimento dessas pessoas me dá mais uma evidência de que minhas percepções têm muito mais chances de estarem corretas do que equivocadas;
  1. Sendo assim, posso ficar tranquilo e viver em paz com minha eventual excentricidade, aceitando-a como parte de mim, mesmo que aos olhos da média eu seja somente um maluco colocando besteira na Internet.

Vídeo complementar no meu canal: RELATOS DE UM LOUCO: https://youtu.be/NHAMXInIFbc

Fausto Silva e os Analfabetos Funcionais

Ouvi as declarações do meu amigo Fausto Silva no seu programa, Domingão do Faustão. Pensei em fazer uma análise dessas declarações, pois mesmo que elas tivessem sido ao vivo – coisa que não foi, minha interpretação delas é completamente diferente do que todas interpretações que vi pela Internet, mas desisti de fazer pelos seguintes motivos:

  1. Como sou amigo de Fausto Silva, diriam que estou tentando “passar panos quentes” no que ele disse.
  2. Ultimamente, tenho questionado fortemente minha sanidade mental.

Ok, o item número 1 é uma piada, que só quem assistiu um certo vídeo no meu canal entenderá, mas o item número 2 é verdadeiro. Assim, penso que como devo ser louco, minha visão da realidade e minha interpretação dos fatos não seja condizente com a realidade.

Porém, para minha surpresa, o próprio Fausto Silva gravou um vídeo explicando o que ele quis dizer e a explicação que ele deu condiz com a interpretação que eu tive. Logo, as estatísticas de 92% de analfabetos funcionais estão se provando corretas mais uma vez e talvez eu não seja louco, só esteja realmente cercado de idiotas.

Passem bem e obrigado pela leitura.