Por que eu me odeio?

Já fiz muita terapia na minha vida. Todos profissionais que fui me ajudaram muito e sou muito grato a eles pelo serviço prestado.

Porém, minha terapeuta atual chegou a um ponto que eu não imaginei que seria possível chegar. Em uma sessão que eu fui, terminamos com ela fazendo-me a seguinte pergunta: “Por que você se odeia?”. A pergunta é mais interessante ainda pois ela vem logo após um relato meu sobre a sensação que tenho de não merecer coisas boas que acontecem comigo, e chega ao meu cerne. Poucas vezes algo/alguém chega ali. Ela descobriu.

Passei muito tempo refletindo sobre isso e escrevi um texto de apenas 8 páginas justificando o porquê de eu me odiar. E não disse tudo o que eu gostaria de dizer. Faltou dizer o seguinte:

“Não entendo como posso não ser bem aceito em um mundo repleto de completos retardados mentais. Vocês, retardados, julgam-me, criticam-me, ignoram-me e não são capazes de ver o quão ignorantes e imbecis são.”

Claro que não vou publicar o resto do texto aqui. Vocês são burros demais para entendê-lo.

A Grande Pergunta da Minha Vida

Percebi que até hoje eu não sei bem o que vim fazer na Terra. Vejo alguns atos conciliatórios que tive com espíritos com os quais eu tive sérias intrigas no passado; Vejo aprendizados, em relação a como a vida é muito mais difícil e escura do que parece ser quando se não está aqui; Vejo amigos que conquistei e alguns que revi; Vejo algumas pessoas que pude ajudar; Vejo amor dos meus pais. Não quero lhes dizer que a vida é ou foi inútil, muito pelo contrário. Até o dia de hoje, aprendi muito e tive experiências engrandecedoras. O que eu não percebi e não entendo é se há alguma missão ou algo maior que eu deveria fazer além do crescimento pessoal, pois o maior peso que tenho desde que comecei a despertar nesse mundo não diminui durante minha caminhada:  a solidão.

Não se trata de estar cercado de pessoas ou de ter um relacionamento. A solidão é muito mais profunda do que isso. Sinto-me como um viajante perdido acolhido em um lar temporário onde ninguém fala o meu idioma.

Por isso, a pergunta que me faço desde que tenho consciência de mim é: O que eu preciso fazer para deixar de estar só?

Durante alguns anos eu pensei que a solidão cessaria quando eu começasse um relacionamento estável. Grande engano. Confesso, é verdade, que por diversos momentos com diversas pessoas a solidão não existiu, pois eu tive a felicidade de ter lapsos de companhia. Sentia-me completo, ouvido, atendido, amado. Mas isso não foi uma constante. Foram momentos esporádicos que vivi para poder ter o consolo de Deus de me dar uma demonstração de como é não se sentir só.

Hoje, apesar de ter alguém e morar com essa pessoa, a solidão afetiva e mental que sinto leva-me a rever todas ações que tive referente a relacionamentos interpessoais desde a mais tenra infância até os dias de hoje, na busca por uma resposta à pergunta: onde foi que errei?

Então você pode perceber que minha busca pela minha missão é na verdade uma busca para acabar com minha solidão, pois entendo que somente deixarei de estar assim quando cumpri-la ou estiver nela trabalhando. A pergunta, portanto, deveria ser: qual é a minha missão? Talvez por ter me desviado, Deus esteja “me punindo” com esse peso. Ele sabe, eu sei, que posso carrega-lo até o fim, porém Ele também sabe que é meu dever tentar lutar para fazer as coisas da maneira certa e, assim, aliviar-me.

Independente da minha missão, sei que errei. Se voltar ao início da minha adolescência e até à infância, lembro-me que eu nunca me julguei merecedor de ninguém e sempre tive uma autoimagem muito ruim. Qualquer menina que demonstrasse algum interesse em mim que pudesse levar a algum tipo de relacionamento, eu já via como “impressão minha”, “coisa da minha cabeça”, alucinação e fantasia, pois, afinal, como poderia esta menina tão legal estar interessada em alguém tão errado como eu? De certa forma isso fez eu me afastar de todas elas e foi confirmado com diversas decepções amorosas, por meninas que eu me apaixonava mas comprovadamente não me viam da mesma forma. O início desse pensamento de “não ser merecedor” não deveria ter me afetado tanto se eu tivesse em minha missão? Eu estava fora da missão desde tão jovem assim?

Deus em sua bondade concedeu-me relacionamentos e neles vários períodos de plenitude. O que eu fiz para que esses períodos deixassem de existir? É simples colocar toda a culpa em terceiros, mas evidentemente que há algo errado em mim e talvez aquela ideia adolescente de que “não sou merecedor de companhia” seja a ideia correta e a resposta para a grande pergunta da minha vida.

Ecos Silenciosos

Comecei a escrever e publicar textos aos 15 anos de idade. O retorno que eu tinha, especialmente com o blog 5150, que surgiu aos meus 18 anos, fazia eu me sentir entendido, compreendido, atendido e feliz por encontrar pessoas semelhantes a mim. O blog foi tão bom que graças a ele eu tive minha primeira namorada. Tudo o que eu escrevia reverberava entre meus amigos, entre meus leitores, entre minha namorada. Minhas palavras ganhavam força e como ondas, iam até a praia, voltavam até mim e me confortavam.

Vinte anos depois e hoje falo para fantasmas. Não se trata somente do que eu escrevo, mas sim do que eu digo. Um ponto da vida em que me tornei um jovem velho de 30 e poucos anos que fala sozinho, pois as pessoas simplesmente não me ouvem mais. Ainda questiono minha sanidade, questiono se não enlouqueci completamente e por isso não sou ouvido.

Escrevo para fantasmas, falo para paredes. Ninguém me ouve como as pessoas do passado ouviam. Ninguém ama como amaram.

Ouço somente minha tempestade interna e solitária. Ouço os ecos de um silêncio que eu mesmo causei pelas decisões mal tomadas e pela forma errada em que conduzi alguns aspectos da minha vida. Apesar disso, não tenho de maneira clara onde errei e nem no que eu errei. Talvez devesse ter me preocupado menos, talvez devesse ter me importado menos e prestado mais atenção naquilo que era uma agradável chuvinha de verão, antes que se tornasse em uma gelada e catastrófica tempestade interna.

Nostalgia Divina

Por que eu relembro tanto do passado com nostalgia, tentando reviver o que não existe mais? Porque o meu verdadeiro “eu” estava vivo naquela época, porque havia uma tempestade de sonhos e uma longa vida a realizar pela frente. A realidade de hoje se assemelha em alguns pontos àquela realidade que eu sonhava, mas distancia-se cada vez mais do mundo fantasioso de um adolescente. Aproxima-se da obra concreta, da dureza da vida e da punição por decisões equivocadas.

Entendo, Deus, que só e somente eu poderia estar nessa missão. Entendo o que foi me passado, porém não deixo de imaginar que as coisas poderiam ser muito melhores se eu tivesse tomado outros rumos.

Peço-Lhe perdão pela forma como me sinto hoje, pelas coisas que estou dizendo e pensando, e sei que o Senhor, em sua infinita inteligência, compreende e vê muito além do que eu posso ver hoje. O Senhor sabe que não fugirei da missão que me foi confiada e lutarei nela enquanto o Senhor permitir e desejar.

A Tempestade Censurada

Acabei de escrever um texto chamado “A Tempestade Interior”, que reflete bem como me sinto, que conversa com Deus, que grita por ajuda. Gostei bastante do texto pois acho que consegui resumir em poucas palavras tudo o que sinto e também, de certa forma, aceitar o meu destino.

Mas, como publiquei ontem, quem se importa?

Quem eu gostaria que se importasse, não é nem capaz de fingir se importar há anos e quem realmente se importa sequer veio a este mundo.